BPC negado por renda? A Justiça pode relativizar o critério de 1/4 do salário mínimo
Passar um pouco da renda per capita de 1/4 do salário mínimo não encerra, por si só, o direito ao BPC. Entenda o que dizem o STF e o STJ sobre isso.
Muita gente acredita que passar um pouco da renda per capita de 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026) encerra qualquer chance de receber o BPC. Não é bem assim.
O Supremo Tribunal Federal, em julgamento com repercussão geral, e o Superior Tribunal de Justiça, no Tema 185, já firmaram entendimento de que esse critério é um indicativo objetivo de miserabilidade, não uma trava absoluta. Isso significa que, mesmo com renda um pouco acima do limite, a Justiça pode reconhecer o direito ao BPC quando outros elementos comprovam a vulnerabilidade da família, como gastos médicos elevados, medicamentos de uso contínuo ou despesas com cuidados especiais.
A Lei nº 14.176/2021 também ampliou essa possibilidade: em situações específicas, o limite pode chegar a até 1/2 salário mínimo por pessoa (R$ 810,50 em 2026), considerando o comprometimento do orçamento familiar com tratamento de saúde.
Na prática, isso muda tudo para famílias que foram negadas na via administrativa só porque a conta "fechou" alguns reais acima do limite. Um estudo social, laudos médicos e comprovantes de despesas podem reverter essa negativa na Justiça.